O Bem-Amado (1980–1984) – A série da Globo que satirizou a política brasileira

A televisão brasileira sempre foi palco de grandes produções que marcaram gerações. Entre elas, destaca-se O Bem-Amado, série da TV Globo, exibida entre 1980 e 1984, com 220 episódios.

Inspirada na novela homônima de 1973, escrita por Dias Gomes, a produção trouxe de volta personagens icônicos e uma sátira política que permanece atual até hoje.


Informações principais da série

DetalhesInformação
EmissoraTV Globo
Ano de Produção1980 – 1984
Número de Episódios220
Companhia ProdutoraRede Globo
FormatoCores, comédia/sátira política
Data de Estreia22 de abril de 1980
Último Episódio9 de novembro de 1984
Elenco PrincipalPaulo Gracindo, Lima Duarte, Emiliano Queiróz, Ida Gomes, Dirce Migliaccio, Kleber Macedo, Carlos Eduardo Dolabella, Fátima Freire, Yara Côrtes, Lutero Luiz, Suely Franco, Ângela Leal, Sumara Louise, Beth Castro

De novela a série de sucesso

Em 1973, a novela O Bem-Amado entrou para a história como a primeira novela em cores da televisão brasileira.

O sucesso foi tão grande que, sete anos depois, a Rede Globo decidiu trazer os personagens de volta em formato de série semanal.

Segundo o próprio Dias Gomes, a série não era uma simples continuação, mas uma nova forma de explorar o universo de Sucupira, com críticas sociais e políticas ainda mais afiadas.


Enredo: o prefeito Odorico Paraguaçu e sua obsessão

O centro da trama era o carismático e corrupto Prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo).

Seu maior objetivo:

  • Inaugurar o cemitério municipal de Sucupira, no litoral da Bahia.

Seus obstáculos:

  • Ninguém morria na cidade.
  • Suas tentativas de forçar a primeira sepultura sempre resultavam em fracasso.

Com discursos grandiosos recheados de palavras inventadas — como “talqualmente”, “invencionices”, “democradura” e “merecedências” — Odorico se tornava um espetáculo à parte.


Personagens marcantes

  • Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): Prefeito demagogo, corrupto e dono de um vocabulário peculiar.
  • Zeca Diabo (Lima Duarte): Cangaceiro arrependido que conquistou o público.
  • Dirceu Borboleta (Emiliano Queiróz): Secretário atrapalhado e inocente.
  • Irmãs Cajazeiras (Ida Gomes, Dorinha Duval, Dirce Migliaccio): Três beatas devotas e bajuladoras do prefeito.
  • Donana Medrado (Zilka Salaberry): Líder da oposição, sempre em confronto com Odorico.
  • Libório (Arnaldo Weiss): Farmacêutico que vivia tentando se suicidar sem sucesso.

Crítica política e social

Mais do que uma comédia, O Bem-Amado era uma sátira ao Brasil real.

  • Ridicularizava políticos corruptos e populistas.
  • Mostrava os vícios e contradições da vida interiorana.
  • Fazia humor com temas sérios como censura, inflação, corrupção e clientelismo.

Um exemplo marcante foi o episódio “A inflação está morta, viva a inflação”, onde Odorico elaborava um absurdo plano para aumentar a inflação a 300% como solução para a crise econômica.


A censura em ação

Apesar de já vivermos a abertura política dos anos 80, a série sofreu com a censura.

Em 1982, a Polícia Federal cortou uma fala de Odorico:

“Não tivesse eu jurado fazer de Sucupira uma democracia, mandava botar todos eles num pacote e jogar no mar.”

Esse tipo de intervenção só reforça como O Bem-Amado mexia com os nervos do poder.


O impacto cultural de Sucupira

A cidade fictícia de Sucupira se tornou uma metáfora do Brasil:

  • Seus personagens caricatos refletiam figuras reconhecíveis em qualquer canto do país.
  • O cenário litorâneo, filmado no Rio de Janeiro, representava a Bahia com cores vibrantes.
  • A série funcionava como um espelho da sociedade brasileira.

Não à toa, Dias Gomes dizia:

“Minha dúvida é se o Brasil é uma grande Sucupira ou se Sucupira é um microcosmo do Brasil.”


O fim da série

Com a morte de Janet Clair em 1983, esposa de Dias Gomes, e a sobrecarga de trabalho do autor, a Globo cogitou cancelar a produção.

Um abaixo-assinado popular garantiu mais um ano de vida ao programa.

Seu último episódio foi exibido em 9 de novembro de 1984, encerrando uma das produções mais icônicas da televisão brasileira.


Curiosidades sobre O Bem-Amado

  • Foi a primeira novela em cores do Brasil (versão de 1973).
  • A série teve 220 episódios, número impressionante para a época.
  • Odorico Paraguaçu é considerado até hoje um dos maiores personagens da TV brasileira.
  • A popularidade foi tanta que a Globo produziu uma peça teatral e um filme inspirado na obra.
  • O vocabulário inventado de Odorico entrou para o imaginário popular.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O Bem-Amado era novela ou série?
➡️ Foi originalmente uma novela em 1973. Em 1980, retornou como série semanal.

2. Quem foi o autor da obra?
➡️ Dias Gomes, um dos maiores dramaturgos brasileiros.

3. Quantos episódios teve a série?
➡️ Ao todo, foram 220 episódios exibidos entre 1980 e 1984.

4. Qual era o objetivo de Odorico Paraguaçu?
➡️ Inaugurar o cemitério de Sucupira, mas nunca conseguia.

5. A série sofreu censura?
➡️ Sim, várias falas de Odorico foram cortadas, principalmente as mais críticas ao regime militar.


Conclusão

O Bem-Amado foi muito mais que uma série de comédia:

  • Foi um espelho crítico do Brasil, com personagens que ainda parecem atuais.
  • Misturou humor, política e cultura popular de maneira brilhante.
  • Deixou um legado eterno na memória da TV brasileira.

Quase quatro décadas depois de seu fim, Sucupira e Odorico Paraguaçu continuam vivos no imaginário coletivo — lembrando-nos que, de certa forma, ainda somos todos cidadãos de Sucupira.


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