A Grande Família: A Primeira Versão que Marcou Gerações

O Início de uma Jornada Inesquecível

A Grande Família, exibida de 1972 a 1975 pela TV Globo, foi uma comédia de costumes que marcou a televisão brasileira. Inspirada inicialmente na série norte-americana All in the Family, a versão brasileira começou tímida, enfrentando dificuldades de conexão com o público. No entanto, em seu segundo ano, com roteiros de Oduvaldo Vianna Filho (Vianninha) e Armando Costa, o programa encontrou seu tom, adaptando-se à realidade brasileira e trazendo uma crítica social e política criativa e disfarçada para driblar a censura da época.


A Família que Refletia o Brasil

Os personagens retratavam uma típica família de classe média baixa:

  • Lineu (Jorge Dória): Veterinário mal remunerado e o alicerce da casa.
  • Nenê (Eloísa Mafalda): A supermãe que cuidava de tudo e de todos.
  • Júnior (Osmar Prado): O estudante politizado e contestador.
  • Tuca (Luiz Armando Queiroz): O hippie desligado e sonhador.
  • Bebel (Djenane Machado/Maria Cristina Nunes) e Agostinho (Paulo Araújo): A filha e o genro, com Agostinho sendo um garçom de motel cheio de malandragem.
  • Floriano (Brandão Filho): O avô aposentado, que tinha o sofá da sala como seu território permanente.
A Grande Família

Humor e Crítica: Uma Combinação Explosiva

Com humor e criatividade, A Grande Família abordava questões sérias como desemprego, desigualdade e dificuldades financeiras. Episódios memoráveis, como “O Recadão”, traziam metáforas que tocavam no tema da censura de maneira sutil e bem-humorada.

Mesmo assim, a série enfrentou problemas com a censura da época, especialmente nas falas do personagem Júnior, cuja politização incomodava as autoridades. Em um episódio marcante, a censura foi tão severa que um programa inteiro foi retirado do ar, sendo substituído por uma partida de futebol.


A “Democratização do Fracasso”

Oduvaldo Vianna Filho definiu A Grande Família como “a democratização do fracasso”. Não no sentido negativo, mas como uma forma de solidariedade com aqueles que enfrentam as dificuldades do dia a dia. Era um retrato irônico e empático do povo brasileiro, mostrando que, apesar das adversidades, a união familiar e a esperança permaneciam inabaláveis.


Por Dentro dos Bastidores

Jorge Dória, que interpretava Lineu, descreveu seu personagem como um verdadeiro herói brasileiro. Em suas palavras, Lineu carregava nos ombros uma família cheia de problemas, vivendo ao lado de uma pedreira em uma casa que parecia desmoronar a qualquer momento – uma metáfora poderosa para as dificuldades enfrentadas pelas famílias da época.


O Especial de Natal de 1987

Mesmo após o fim da série, A Grande Família continuou a ressoar nos corações dos brasileiros. Em 1987, um especial de Natal trouxe de volta os personagens originais, agora mais velhos e com ainda mais problemas. A família havia crescido, com os netos de Lineu e Nenê, mas a essência permanecia: o humor e a crítica que encantaram o público.


Legado e Nostalgia

A Grande Família é mais do que um marco da televisão brasileira; é um espelho de uma época, onde o riso e a reflexão andavam lado a lado. Seu legado foi tão forte que inspirou uma nova versão, exibida de 2001 a 2014, que conquistou outra geração de telespectadores.


Curiosidades sobre A Grande Família

  1. Foi a primeira série da Rede Globo transmitida ao vivo.
  2. O episódio de estreia sofreu severas críticas, mas a adaptação ao contexto brasileiro transformou o programa em sucesso.
  3. O texto de Vianninha era tão crítico que frequentemente sofria cortes pela censura, mas sua essência sempre chegava ao público.
  4. O sofá de Floriano tornou-se um símbolo da série e da cultura pop brasileira.

Conclusão

Com sua abordagem inovadora e corajosa, A Grande Família (1972-1975) continua viva na memória dos brasileiros. Era mais do que uma comédia; era um retrato fiel de uma época, com críticas sociais que ainda ressoam nos dias de hoje.

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